Relatório do Seminário com o tema: “A IMPORTANCIA DOS MOVIMENTOS SOCIAIS NO
MONITORAMENTO DA IMPLANTAÇÃO DA LINHA DE CUIDADOS PARA AS HEPATITES VIRAIS”
Participantes na mesa de abertura do seminário
Cerimonialista: Maristela da Silva (RS)
Estiveram presentes na mesa de abertura: Neide Barros da Silva, Presidente do Movimento Brasileiro de luta contra as hepatites Virais
(MBHV);
Eduardo Luiz Barbosa coordenador do Movimento Paulistano de Luta Contra a AIDS (MOPAIDS);
Célia Regina Ciccolo da Silva – coordenadora do Programa Municipal de Hepatites Virais, e
representando o senhor Luiz Carlos Samarco – Secretário Municipal de Saúde da Cidade de São
Paulo.
Talita Garrido de Araújo – Representando o Conselho Nacional de Saúde (CNS);
Draurio Barreira – Diretor do Departamento de HIV/Aids, Tuberculose, Hepatites Virais e
Infecções Sexualmente Transmissíveis (DATHI), SVSA/MS;
Debora Fernanda Vichessi – coordenadora da Divisão de HV do Estado de São Paulo (SES/SP);
Rosa Alencar – Coordenadora Adjunta do Programa de IST/Aids do Estado de São Paulo (SES/SP).
Mesa-1
Tema: A implantação do guia de Eliminação das Hepatites virais e seu monitoramento nos
territórios, em parceria com as ONGs, e os avanços e desafios a serem enfrentados nos estados
e municípios. José Nilton Neris Gomes
• José Nilton Neris Gomes – Consultor-Técnico da CGHV/ DATHI/SVSA/MS
• Claudio da Silva Costa / Grupo Amarantes (RJ)
Moderadora: Maristela da Silva/ VIAVIDA (RS)
Senhor José Nilton Neris Gomes – Consultor-Técnico da CGHV/ DATHI/SVSA/MS: Sua fala iniciouse sobre a análise de banco de dados sobre a multiplicação das HCV nos municípios brasileiros.
A importância dos movimentos sociais e apresentou o Guia da linha de cuidado para a eliminação
das hepatites virais. Expôs os dados oficiais de casos detectados, tratados e óbitos entre 2022 e
tendo um mínimo de mais de 73.000, desses + ou – 33% não tratados e 3% de óbitos. Maior
incidência de HCV Chaqueadas-RS e de HBV, a importância do trabalho em rede quanto a
provocação para o conhecimento para prevenção, diagnóstico, vinculação, tratamento,
retenção, adesão, cura ou supressão. A evolução quanto ao tratamento desde 2013 até o
momento, citou a importância do trabalho realizado pelos movimentos sociais nessa evolução e
diminuição das dificuldades locais e regionais.
Abertura para debates:
Inscritos:
1-Jeová, 2-José Vaz, 3-Claúdio, 4-Suzana, 5-Maria Eliza
1-Sr. Jeová Pessim: considerações e reconhecimento dos trabalhos realizados pelo MS na gestão
do José Nilton Neris Gomes-Consultor-Técnico da CGHV/ DATHI/SVSA/MS. Questionou sobe a
forma de mensuração dos óbitos. Em resposta o senhor Nilton informou que é realizado que há
banco de mortalidade, por conta do CID da causa da morte, há um trabalho de investigação das
causas.
2-Sr. José Vaz: apenas comentou sobre sua preocupação quanto aos números apresentados pela
fala do sr. Jeová.
3-Sr. Claudio Costa: mencionou a fala do Sr. Nilton sobre os ACS estar apar do estado de saúde
do usuário.
4- Sra. Suzana : endossou a fala de Nilton e Jeová a respeito da sua participação nas oficinas de
capacitação do DATHI que são extremamente importantes, observou que ainda há profissionais
da saúde que desconhecem o que são hepatites virais.
5-Sra. Maria Eliza: questionou se há um recorte sobre pacientes com HIV/AIDS e hepatites por
sexo. A resposta é que há os dados, porém não de óbitos.
Mesa-2
Tema: O Protagonismo dos Movimentos Sociais no Enfrentamento das Hepatites Virais:
Histórico e conquistas dos movimentos sociais na luta contra as hepatites virais
Expositor:
• Jair Brandão Filho – Consultor Técnico do DATHI/SVSA/MS
• Jeová Pessim: Ativista do MBHV
Moderadora: Claudio da Silva Costa /Grupo Amarantes (RJ)
Jair Brandão Filho – Consultor Técnico do DATHI/SVSA/MS: fala sobre a trajetória diante da OMS
e os Movimentos HIV/AIDS, Federal, Estadual, Municipal e controle social. A importância do
diálogo entre as quatro instâncias para fortalecer o trabalho da meta de eliminação das HCV.
Jeová Pessim – falou sobre o protagonismo das OSCs no enfrentamento das hepatites virais.
Abordou o trabalho realizado por seu grupo e das OSCs que compõem o MBHV.
Mesa-3
Tema: Retrospectiva e Estado atual das hepatites virais.
• Expositora: Simone Tenore -Diretora do Ambulatório de Hepatites Virais do Programa
Estadual de IST e Aids de SP.
Moderadora: Daiane Alves Nickel / ADOTE(RS)
Simone Tenore – Diretora do Ambulatório de Hepatites Virais do Programa Estadual de IST e Aids
de SP. Vírus B e oncogênico.
Temos surtos de hepatite A em adultos jovens, ligado ao sexo, inclusive hepatite A fulminante,
foram para transplantes, em alguns estados temos os surtos, que acabamos liberando a vacina.
Importante que os gestores sigam o fluxo do guia de eliminação das hepatites virais (cuidados).
Importante também é levar asinformaçõessobre as hepatites virais para todas as especialidades
médicas.
Debates:
Painel: Depoimentos de pessoas com Hepatites Virais: “Do diagnostico ao tratamento, caminhos
e fragilidades”
Depoimentos: José Riberto Pereira e Paulo
Moderadora: Alessandra Gomes -AMHE (RS)
Depoimento de Paulo Cesar Guarento – apresentação em vídeo.
Senhor José Roberto Pereira e o senhor Paulo Falou sobre sua história de infecção por hepatite
C. seu relato é marcado pelo acolhimento e atendimento humanizado dos profissionais da
saúde, que hoje é transplantado de fígado e vive com qualidade de vida, mas sempre seguindo
todas as orientações médicas.
Depoimento de José Roberto Pereira
Senhor José Roberto Pereira: falou da importância na vida dele, da doutora Denise, pois ao
realizar acompanhamento e exames, que a mesma solicitou exames, foi através deles que
descobriu que estava acometido por hepatite C, e as dificuldades que teve de acesso ao
medicamento, na época em que necessitou, pois o MS não tinha recurso suficiente para fazer a
incorporação da medicação para o tratamento. Jose Salienta que se não fosse a doutora Denise
talvez ele nunca soubesse que estava acometido com o vírus da hepatite C.
A gente desenvolveu um projeto muito grande em parceria do Brasil com a França sobre as
hepatites virais, era um projeto no Brasil, com a França, foi um plus para o Brasil, foi um momento
muito emblemático marcantes desafiador porque o medicamento custava, mais de 48 mil
dólares muito caro na época, não é como hoje em dia, que se tem muita facilidade de realizar o
tratamento, hoje custaria em torno de 120 mil reais.
A pergunta é quanto vale um fígado? 120 mil reais foi a resposta deles para nó!!! Foi uma
resposta muito ruim. Na época não tínhamos recursos suficientes para fazer a incorporação
começamos a realizar um movimento, em São Paulo, na sede da Gileade, no Morumbi, fizemos
uma ação importante e conseguimos de alguma forma colocar uma pressão tão grande no
laboratório, que conseguiu negociar o preço para que o Brasil, que pudesse, de alguma forma
incorporar, com isso conseguimos incorporar os medicamentos no MS/ SUS. Na época, foi bem
complicado, o ministério da saúde começou a fazer processo todo.
Hoje é bem mais fácil, começar o tratamento na atenção básica, com o enfermeiro, e estamos
em busca da eliminação até 2030. A minha experiencia e a de jeová foi bem difícil, pois eram
foram medicamento extremamente tóxicos a chance de cura era muito pequena.
Mas tudo isso foi essencial para chegar à onde estamos hoje!! Falou da realização de uma
oficina, foi bem importante, que está feliz, das pessoas poderem se apropriar das informações.
Que gostaria de ver ainda, no SUS, uma vacina para imunizar a todos contra a hepatite C, como
temos para B.
Agradeceu a todos pela oportunidade de trazer o seu depoimento!!!
Entrega de certificados. Agradecimentos
Mesa 4
Tema: Linha de cuidados com as hepatites virais e fragilidades que podem ser melhoradas,
desenvolvidas nos municípios de São Paulo, Osasco e Guarulhos.
Expositoras:
• Célia Regina Ciccolo da Silva (SP)
• Marina Nairismagi Alves (Guarulhos)
Moderadora: Suzana Nascimento – ACEPHET – CE
Célia Regina Ciccolo da Silva (SP) : durante o atendimento, seja realizado teste rápido para
hepatite B, como orientado, e recomenda a realização da sorologia, seguindo o protocolo do
laboratório.
O algoritmo de teste começa com a pesquisa do marcador HBsAg. Caso o resultado seja negativo
para HBsAg, a pessoa não está com hepatite B. Se o HBsAg for positivo, outros marcadores são
investigados, e, com a confirmação, a gestante é encaminhada para acompanhamento
especializado.
No caso de gestantes, o protocolo inclui a aplicação da vacina, caso não haja comprovação de
vacinação na carteira de vacinação. Embora a vacinação esteja em vigor há mais de 12 anos,
ainda encontramos casos de falta de documentação de vacinação. Após confirmação de hepatite
B, a gestante é acompanhada pelo serviço de referência, que acompanha também a criança até
o diagnóstico final. O fluxo de trabalho visa garantir que a gestante e o recém-nascido recebam
os cuidados adequados para evitar a transmissão do vírus e acompanhar a saúde de ambos de
forma eficaz.
Devido à grande extensão do município, não é viável realizar a coleta de biologia molecular em
todas as unidades de saúde. Por conta disso, seguimos o protocolo de realizar os testes nas
unidades de referência. Quando um teste rápido ou sorologia é positivo, o paciente é
encaminhado para essas unidades de referência, conforme a regulação municipal. Nessas
unidades, é feito o acompanhamento do tratamento e a avaliação da resposta biológica do
paciente.
No caso de pacientes infectados com HIV, eles são acompanhados em ambulatórios
especializados, que começaram a ser estruturados em 2009 devido ao aumento dos casos de
AIDS. Naquele momento, o sistema de saúde não tinha mais capacidade de acompanhar esses
pacientes nas unidades básicas, por isso a decisão de encaminhá-los para os ambulatórios de
referência, com acompanhamento especializado por infectologistas.
Para as gestantes, temos uma ficha específica para monitoramento, que orienta as UBS sobre os
passos necessários, incluindo o encaminhamento para a maternidade. Após o parto, as crianças
também recebem acompanhamento, até que o diagnóstico de hepatite B seja confirmado ou
descartado.
No Estado de São Paulo, a partir de uma portaria de 2005, é obrigatória a aplicação da primeira
dose da vacina contra hepatite B na maternidade, o que faz parte do protocolo de
acompanhamento da gestante e do recém-nascido. Só tem um indicador de monitoramento de
hepatite C.
Marina Nairismagi Alves (Guarulhos) Ismária C. Francco (Osasco) – vigilância
Consolidação da linha de cuidado das hepatites virais em Guarulhos. Cenário epidemiológico
dados disponíveis no site da vigilância epidemiológica de Guarulhos. Monitoramento dos casos
encontrados para hepatites virais de acordo com raça, idade e sexo para tratar de acordo com
cada caso. Muitos desafios são encontrados no percurso. Ampliação do diagnóstico e da
notificação dos casos: diagnóstico precoce na atenção primária e nos serviços de urgência e
emergência e ações extra muro de testagem localizadas. Qualificação e completude das fichas
de notificação. Vigilância da gestante/criança exposta à Hepatites Virais (E-SUS em 2023 –
Hepatite B). Referência municipal/estadual de hepatologia. Realização de CV no município
(LSP/Guarulhos). Estratégias de referência e vínculo nos serviços especializados. Referência e
contra-referência entre unidades (APS/SAL/CTA/UPA/PA/Hospitais), são realizados 600 mil testes
por ano.
Debate:
Mesa 5:
* As fragilidades encontradas na prevenção diagnóstico e tratamento das ISTs, principalmente o
HIV e as HV. Como é desenvolvido a educação em saúde para a população mais jovem no estado
de São Paulo
Expositora: – Nália Santos/ substituindo Ivone de Paula CRT-DST/Aids
Moderador: Alisson Barreto -Mopaids/GPV (SP)
Nália Santos/ substituindo Ivone de Paula CRT-DST/Aids
Juntos pela prevenção: A palestra discute iniciativas voltadas para os direitos sexuais,
reprodutivos e humanos, com foco na prevenção de doenças nas redes de ensino e no
aprimoramento dos serviços de saúde para atender às demandas da comunidade.
Apresentações de programas de para levar informações sobre prevenção para IST’s, PrEP e PEP
para as comunidades em Osasco onde as escolas e as redes sociais são usadas como estratégia
de comunicação para intensificar e ampliar o conhecimento dessas IST’s com foco na população
jovem e usando uma linguagem informal.
Mesa 6:
Cenário Epidemiológico das Hepatites Virais e a Rede de atenção as Pessoas Vivendo com
Hepatites Virais no Estado de São Paulo.
Expositora:
• Debora Fernanda Vichessi
Moderadora: Liliana Cristina Mussi OSCIP -Terra das Andorinhas (Campinas/SP)
Debora Fernanda Vichessi: informo que há um programa de prevenção das hepatites virais e
suas áreas de atuação,redes de atendimentos são disponibilizados para pacientes com hepatites
virais, sobre a organização dos serviços de saúde, especialmente em relação ao atendimento de
pacientes com HIV e hepatites. As estratégias adotadas é que, em vez de tratar todos os casos
em um único local, os pacientes podem ser atendidos em centros especializados (como o de
hepatites), onde há maior número de profissionais e estrutura para realizar os exames e
acompanhar o tratamento.
A rede de laboratórios também é destacada, com 19 unidades de referência para exames de
biologia molecular, o que facilita o acesso dos pacientes, especialmente na região de Sorocaba.
No entanto, há a sugestão de que poderia haver mais pontos de coleta para tornar o serviço
ainda mais acessível, embora haja desafios logísticos, como a preservação de amostras fora de
condições ideais.
O desafio é garantir que as unidades básicas de saúde (UBS) tenham profissionais capacitados
para acompanhar os pacientes com hepatites, mas a dimensão da tarefa é grande. Há uma
dificuldade em manter profissionais qualificados em todas as unidades, especialmente
considerando a quantidade de serviços especializados e o número de UBS na região. Isso reflete
uma busca por otimizar o atendimento, sem comprometer a qualidade, mas também
considerando as limitações de estrutura e recursos.
Ela vem destacando a importância de se considerar os territórios e a proximidade dos serviços
de saúde. Muitas vezes, um município não tem seu próprio serviço de referência, e os pacientes
precisam ser encaminhados para municípios vizinhos. A gestão eficiente desse processo é
essencial, pois mudanças de gestão podem afetar a continuidade e qualidade do atendimento.
A linha de cuidado precisa ser bem mantida. Na região Sudeste, especialmente, há um grande
número de casos de hepatite: 34% dos casos de hepatite B e 57,7% dos casos de hepatite C no
Brasil. Os números confirmados são de 61.482 casos de hepatite B e 118.337 casos de hepatite
B e C juntos, com 2.136 casos em total na região. A região de Registro, por exemplo, tem o maior
número de casos confirmados de hepatite B. Isso enfatiza a necessidade de serviços de saúde
bem distribuídos e estruturados para atender a essa demanda crescente.
Um gráfico de barras que mostra a distribuição percentual dos casos de Hepatite C segundo a
provável fonte/mecanismo de transmissão, com base nos dados da ESP (Secretaria de Saúde do
Estado de São Paulo), no período de 2014 a 2024. O gráfico mostra a evolução anual da
distribuição das fontes de transmissão de Hepatite C, desde 2014 até 2024 representando.
As informões são úteis para analisar como a distribuição das fontes de transmissão da Hepatite
C variou ao longo do tempo, destacando tendências e áreas específicas de preocupação, como
o uso de drogas e a transmissão transfusional. Os dados de casos para hepatites em São Paulo
são maiores na população masculina.
Mesa 7:
Importância da implantação do PCDT para pacientes cirróticos
Expositor:
• Jeová Pessim – Ativista – Santos/SP
Moderadora: Maristela da Silva/ VIAVIDA (RS)
Jeová Pessim – Ativista – Santos/SP, apresentou linhas de cuidado e protocolos. O CHC é
atualmente a complicação mais comum e a principal causa de morte em pacientes com cirrose
hepática compensada, e grande maioria dos casos (90%) está associada ao desenvolvimento de
cirrose e as infecções crônicas pelos vírus da hepatite B e vírus da hepatite C estão envolvidas
em mais de 80% dos casos de CHC, com a implantação de um PCDT para paciente com cirrose
hepática, para que seja diagnosticado o mais precoce possível, para tratar, e não necessitar de
transplante. Paciente não está de alta com a eliminação do HCV caso já tenha uma evolução para
fibrose avançada (estadiamento F3) ou cirrose hepática (F4), é necessário uma seguir uma linha
de cuidados para monitoramento e rastreamento do CHC, para tratar e não deixar evoluir para
forma mais grave, e o monitoramento das complicações exames recomendados para
rastreamento de Câncer Hepático ( A cada 6 meses no PCDT Hepatite C e coinfecções) * Com
raras exceções, não existe qualificação de profissionais nem equipamentos e insumos disponíveis
nas UPAS, PSs e UBS para atender pacientes com ascite, encefalopatia, realizar EDA, TOMO, e
outras necessidades do agravo, e a causa desse gargalo pode ser a falta de um protocolo de
atendimento emergencial para descompensação do fígado com cirrose. O procedimento se
resume em estabilizar o paciente com os recursos locais e a seguir o liberam, às vezes com
encaminhamento para consulta com especialista, que muitos municípios não têm ou por um
agendamento com um hepatologista demasiadamente demorado ou nem encaminhamento
fazem, ou ainda se o caso requer internação o paciente fica sujeito a disponibilidade de uma
vaga pelo sistema Cross, o que pode demorar, e não é raro que o paciente vá a óbito sem ter o
atendimento pertinente ao agravo.
Mesa 8:
O SUS é universalidade, equidade e integralidade:
● Saúde é direto de todos e dever do estado
● Saúde não é comércio! é necessária uma reeducação drástica nos valores dos
medicamentos
● Os altos preços e as patentes impedem o acesso
● Estratégias para garantir o acesso as novas tecnologias
Expositor:
Dr. Bartholomeu Aquino ( RN)
Moderador: Jean Carlos Dantas – CRT- DST/Aids
Dr. Bartholomeu Aquino ( RN), Histórico do medicamento sofosfovir. O Sofosbuvir, um antiviral
usado no tratamento da hepatite C crônica. Ele pode ser combinado com outros medicamentos
para formar tratamentos mais eficazes. Foi aprovado pela FDA em 2013 e incorporado ao SUS
em 2015. Claro! Aqui está um resumo de cada tópico:
1. Investimento em P&D: O desenvolvimento do sofosbuvir foi financiado com
investimentos de US$ 300 a 500 milhões, sendo baseado em descobertas de uma
universidade pública dos EUA e apoiado por instituições públicas.
2. Desenvolvimento e compra pela Gilead: A Flumiserat desenvolveu o sofosbuvir, mas a
Gilead comprou a empresa em 2011 e continuou os estudos clínicos, gastando US$ 11
bilhões.
3. Custo no Brasil: Em 2015, o custo do sofosbuvir para o SUS seria de US$ 1,125 bilhões,
resultando em US$ 1,5 milhão por paciente tratado.
4. Preço de venda e impacto: Com preço de US$ 1.000 por tratamento, seriam necessários
US$ 1,5 bilhão para tratar todos os pacientes.
5. Custo total no Brasil: Em 2014, o gasto total com medicamentos no Brasil foi de R$ 12,7
bilhões, e a compra do sofosbuvir para todos os pacientes custaria R$ 34 bilhões.
Apresentou Dados de 2025. Guia para a análise de 2025 – Medicamentos para Hepatite C
(Duração: 2025). Apresentou também uma tabela que lista das quantidades estimadas de
medicamentos necessários para o tratamento da Hepatite C até 2025. Ela lista os medicamentos
mais comuns usados no tratamento, como o Sofosbuvir, que é utilizado em combinação com
outros antivirais, como Ledipasvir e Velpatasvir, além de outros medicamentos como Efavirenz.
A tabela tem como objetivo fornecer uma estimativa de demanda para o fornecimento de
medicamentos ao Sistema Único de Saúde (SUS).
Debates:
Fala do sr. Eduardo:
“Quando se trata de medicamentos para hepatite, percebemos que, primeiro, nós, enquanto
organizações não governamentais, não temos a propriedade necessária para entender e discutir
essas questões. O que podemos fazer é contar com o apoio de um grupo de advogados, por
exemplo, que, com a sua expertise, consegue fornecer uma base legal, necessária para entrar
com recursos, sempre que necessário. Acho que isso sempre foi um grande desafio,
principalmente com o Ministério da Saúde.
Grande parte do orçamento da saúde é voltado para tratamentos, enquanto uma parte menor
fica destinada à prevenção e promoção. No entanto, o comprometimento orçamentário que está
sendo mostrado é real, embora faltem forças para lutar contra os grandes interesses. Lembro
que, quando estava no Ministério da Saúde, conseguimos, pela primeira vez, quebrar a patente
de um medicamento. Isso resultou em uma economia de R$ 50 milhões em um único ano, pois,
ao quebrar a patente e permitir o licenciamento, a indústria foi obrigada a transferir a produção
para o Brasil, o que resultou em um barateamento significativo do custo.
Contudo, sem força política, essas mudanças não acontecem. Naquela época, tivemos uma
grande briga política, com retaliações comerciais, como os Estados Unidos parando de comprar
laranjas do Brasil, e a OMC se envolvendo. Por isso, é importante fortalecer nossa atuação agora,
visto que uma das formas que o Brasil pode adotar como retaliação é exatamente essa questão
do licenciamento, como já foi feito no passado. Isso pode reduzir o preço dos medicamentos no
Brasil.
No entanto, enfrentamos problemas internos, como a falta de capacidade da indústria nacional
de fabricar esses medicamentos. Na época em que eu estava no Ministério, precisei ir até Fio
Cruz e outros locais para verificar como eles estavam preparando a produção, e vi que o processo
de fabricação não estava adequado, o que demandou investimentos para aprimorá-lo.
Por isso, é fundamental pressionarmos agora. Devemos, sim, fazer manifestações e enviar cartas,
deixando claro que não podemos aceitar os preços elevados dos medicamentos. Não podemos
admitir que a saúde seja tratada como um comércio, pois a vida das pessoas não tem preço.
Concordo que devemos agir rápido, mas também de forma estratégica. Não adianta forçar algo
que não será possível de realizar.”
Esse texto agora está mais claro, estruturado e segue uma linha de raciocínio mais lógica. Ele
aborda os desafios enfrentados em relação ao preço de medicamentos, a importância de
licenciamento e a necessidade de ação política e estratégica para garantir o acesso à medicação.
Fala do sr. Jeová: a falta de acesso aos contratos necessários para realizar o trabalho de advocacy
no mercado pago e a dificuldade em entender as justificativas de algumas organizações, como a
Ovas, que usam fundos estratégicos para negociar com países sem sistemas de saúde
organizados. Embora o Brasil seja visto por vezes como um país de primeiro mundo, também
enfrenta desafios nesse campo. A discussão sobre esses temas é vista como um início, com a
importância de garantir transparência e priorizar recursos para ajudar os gestores na
implementação de ações e atender as demandas do movimento social, como eventos e
materiais.
Em suas considerações finais o Dr. Bartolomeu provou que os demais se apropriem de mais
conhecimento como a engenharia reversa.
Em contexto de medicamentos, a engenharia reversa refere-se ao processo de análise de um
medicamento já existente para entender sua composição, formulação e processo de fabricação.
Isso pode ser feito para diversas finalidades, como desenvolver medicamentos genéricos,
aprimorar formulações existentes, ou até mesmo investigar a causa de efeitos adversos.
Mesa 9
A Importância do trabalho das ONGs no combate as hepatites virais nos seus territórios.
Expositora:
• Suzana Nascimento – ACEPHET(CE) Coordenadora das ONG’s do NORDESTE
• Liliana Cristina Mussi Moderador – OSCIP – Terra das Andorinhas (Campinas/SP)
Moderador: Alisson
Suzana Nascimento, apresentou o trabalho das ONG’s do Nordeste, destacou cada movimento
social e suas diversas formas de trabalho, porém com o objetivo em comum.
Liliana Mussi, ressaltou a importância das ONG’s, vem representando a OSCIP – Terra das
Andorinhas em Campinas onde funciona um centro de convivência, ressaltou como as as ONG’s
são uma ponte de acesso aos testes e ao diagnóstico e ao encaminhamento e acompanhamento
das pessoas atendidas. O trabalho que os movimentos sociais são indispensáveis para que as
pessoas possam ser acompanhadas e assistidas durante esse processo.
Sr. Claudio: apresentou os trabalhos de sua ONG, e as suas ações realizadas, que servem como
modelo para serem compartilhados e replicados fortalecendo uns aos outros como movimento
social.
Mesa 10
Tema: Principais fragilidades encontradas pelos movimentos sociais nas ações desenvolvidas nas
5 regiões, com necessidades de medidas em curto Prazo.
Expositor:
• Alex Amaral – ACASSEF/SC –
Representando os coordenadores Regionais do MBHV (norte, nordeste, centro este Sul,
Sudeste)
Moderador: Eduardo Luiz Barbosa – GPV/SP, MOPAIDS
Alex Amaral- Em sua fala destaca as fragilidades do sistema de saúde nas regiões brasileiras,
especialmente nas mais periféricas, que dificultam o acesso a serviços e equipamentos
adequados para o combate às hepatites virais, a falta de infraestrutura e de financiamento,
juntamente com um sistema de saúde público com baixa resolutividade, resulta em diagnósticos
tardios e aumento da mortalidade pela doença. Ressaltou que em Santa Catarina há dificuldade
para prevenção das hepatites virais, onde existe uma deficiência na formação acadêmica dos
cursos da área da saúde. Ele trouxe os dados de diminuição de ONG’s na sua região devido ao
marco regulatório muitas ONG’s não se qualificam para obtenção de recursos. Realizam oficinas
de rodas de conversas e musicoterapia com os jovens obtendo um retorno positivo. As
organizações precisam de recursos para se manterem e se faz necessário desburocratizar os
editais e ofertar números maiores de editais nos estados e municípios.
14/08/2025:
Plenária Final:
Ocorreu a “PLENÁRIA FINAL” do 1º SEMINÁRIO NACIONAL DE ONG´s DE HEPATITES VIRAIS E
TRANSPLANTES HEPÁTICOS, os representantes das organizações da sociedade civil filiadas ao
“MOVIMENTO BRASILEIRO DE LUTA CONTRA AS HEPATITES VIRAIS – MBHV”.
❖ Solicitamos ao Ministério da Saúde uma revisão e atualização da Portaria n° 55, de 24
de fevereiro de 1999, que dispõe sobre a rotina do tratamento fora do domicílio no SUS.
Solicitar, ainda, que o setor competente do Ministério da Saúde atue na fiscalização das
ações executadas pelos Estados e Municípios, referentes às aplicações dos recursos
repassados para o TFD, garantindo que o programa seja contemplado em áreas de
regiões vulneráveis, garantindo a equidade da distribuição de valores, visto que os
repassados hoje são desiguais para o paciente/acompanhante de acordo sua região
geográfica.
❖ *Solicitação da revisão da portaria, seja realizada de forma colaborativa com o
movimento social.
❖ Reforçamos ao Ministério da Saúde que recomende às Secretarias Municipais de Saúde
a implantação do projeto “Sala de Espera” (projeto anexo) nas UBS e demais serviços
de saúde. O MBHV solicita e recomenda que as federações da indústria e do comércio
realizem parcerias com o poder público e a sociedade civil, afim de promover ações
sobre educação em saúde e vacinação em Hepatites Virais. Solicitar ao MEC através da
rede de ensino, que insira na grade curricular as doenças negligenciadas com destaque
as Hepatites Virais.
❖ Solicitar ao DATHI/SVS/MS que recomende as Secretarias Estaduais e Municipais a
ampliar capacitação e educação permanente sobre Hepatites Virais para os profissionais
de saúde, incluindo o movimento social.
❖ O MBHV reconhece que o programa Brasil Saudável tem grande importância para a
equidade na atenção em saúde e principalmente para alcançar a eliminação de várias
doenças negligenciadas, incluindo as Hepatites Virais, solicitamos empenhos de todos
os ministérios para recursos e planejamento de ações.
OBS: Mopaides aprova e apoia todas as demandas mencionadas acima.
São Paulo, 14 de agosto de 2025